Lâmina 9
Retinopatia diabética não proliferativa grave
A retinopatia diabética (RD) corresponde a uma das alterações estruturais e funcionais causadas pelos efeitos lesivos da hiperglicemia crônica nos tecidos. Na retina, a hiperglicemia modifica o metabolismo celular, o fluxo sanguíneo retiniano e a competência capilar da retina. [3] É uma das causas mais importantes de perda visual em todo o mundo e principal causa de deficiência visual em pacientes entre 25 e 74 anos de idade. [2]
Nos estágios iniciais da doença, a RD pode ser assintomática, podendo apresentar alguns sintomas, como sensação de “cortina caindo”, “moscas volantes” e diminuição da acuidade visual em estágios mais avançados. [2]
A retinopatia diabética pode ser classificada em:
Não proliferativa (leve, moderada e grave)
Proliferativa: presença de neovascularizaçaõ originada no nervo óptico e/ou vasos da retina. [2]
A retinopatia diabética não proliferativa grave é caracterizada por alterações retinianas mais extensas do que aquelas observadas na forma moderada, porém sem a presença de neovascularização, característica da retinopatia diabética proliferativa. [2]
Presença de microaneurismas e pequenas hemorragias retinianas, como na RD de fundo leve (vide lâmina 7). [1]
Presença de exsudatos duros, que são depósitos branco-amarelados nas camadas profundas da retina, variando de um pequeno ponto a extensas placas. [1] São resultado do acúmulo de produtos degenerativos das células neurais. [2]
Presença de exsudatos moles, que são manchas brancas algodoadas causadas por microinfartos na camada de fibras nervosas da retina. São manchas esbranquiçadas ou branco-amareladas, podendo ser únicas ou múltiplas que lembram um chumaço de algodão, com margens indistintas. [1]
O diagnóstico de RD pode ser feito através de exames como: exame de fundo de olho, fotografia da retina e avaliação automatizada dessas fotografias. [5]
O rastreio de RD em pacientes com DM deve ser feito da seguinte forma:
Em pacientes com DM1, o rastreio deve ser iniciado de 3 a 5 anos após o diagnóstico;
Em pacientes com DM2, o rastreio deve ser iniciado logo após o diagnóstico;
Se RD diagnosticada, os pacientes devem ser avaliados anualmente. [5]
Em pacientes com retinopatia diabética não proliferativa grave/muito grave que apresentam risco de progressão rápida, a fotocoagulação panretiniana é sugerida. [4]
Figura 1 – Retinopatia diabética não proliferativa grave
Fonte: Adam, Rouilly AR 303, 2026
A partir da imagem, é possível observar a presença de hemorragias, microaneurismas, áreas de exsudatos duros e moles (algodoados) e alguma evidência de envolvimento da mácula, sugestivas de retinopatia diabética não proliferativa grave.
Referências:
1. SBRISSA, Renato A. Atlas do Fundo de Olho. 2. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2019. E-book. p.5. ISBN 9788554650964. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788554650964/. Acesso em: 24 abr. 2026.
2. DONALD J D’AMICO, Anjali R. Shah. Diabetic retinopathy: Classification and clinical features. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-classification-and-clinical-features>. Acesso em: 26 maio. 2026.
3. SILVA, Paolo Sandico. Diabetic retinopathy: Pathogenesis. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-pathogenesis>. Acesso em: 26 maio. 2026.
4. DONALD J D’AMICO, Anjali R. Shah. Diabetic retinopathy: Prevention and treatment. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-prevention-and-treatment>. Acesso em: 26 maio. 2026.
5. SILVA, Paolo Sandico. Diabetic retinopathy: Screening. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-screening>. Acesso em: 26 maio. 2026.
Material desenvolvido sem fins lucrativos, destinado exclusivamente ao estudo e aprendizado de estudantes da área da saúde.